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terça-feira, 8 de junho de 2010

Jornal O Tempo / Magazine / Reportagem de Ana Elizabeth Diniz Publicado em 08/06/2010

http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdEdicao=1686&IdCanal=4&IdSubCanal=&IdNoticia=142987&IdTipoNoticia=1


Conversando com Helena Blavatsky

Revolucionária sensitiva russo-ucraniana que viveu no século 19 deixou legado sobre a sabedoria primordial

Ana Elizabeth Diniz

Especial para O TEMPO

Revolução de palavras, ideias. Marco do ocultismo. Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891), juntamente com Henry Steel Olcott, criou, em 1875, a teosofia ou ciência da sabedoria perene.

"Em pleno século 19, essa mulher desafiou as diferentes religiões em seus aspectos dogmáticos e corporativos, mostrando que todas elas são imperfeitas e nenhuma possui contato exclusivo com o mundo divino. Ela mostrou que cada grande religião tem, em sua essência, contato interior com a sabedoria eterna e universal que é patrimônio comum de toda a humanidade", explica Carlos Cardoso Aveline, jornalista, escritor e autor de "Conversas na Biblioteca - Um Diálogo de 25 Séculos".

Aveline entrevista a obra de madame Blavatsky e desvela uma mulher que "desafiou os dogmas científicos da época e retomou a tradição clássica segundo a qual a religião, a ciência e a filosofia devem ser reconhecidas como inseparáveis em um universo em que cada coisa tem vida e movimento em seu interior e está ligada a todas as outras partes do cosmo".

O autor relata que Blavatsky era sensitiva e, durante alguns anos, promoveu fenômenos parapsicológicos "para mostrar em um plano prático que o universo não tem apenas três dimensões e que a vida é maior do que o mundo dos cinco sentidos. Trabalhando em contato com raja-iogues do Himalaia, sábios que operam em um plano intuitivo da consciência, Blavatsky lutou pela compreensão não dogmática de que todos os seres humanos são irmãos, sem distinção de raça, credo, sexo, ideologia ou condição social", explica Aveline.

Mas nem tudo foram flores no caminho da sabedoria iluminada. "Em 1885, no auge de uma campanha clerical contra suas ideias universalistas que desbancavam crenças dogmáticas, Helena Blavatsky foi alvo de uma investigação por parte da Society for Psychic Research (SPP) de Londres, e qualificada como um caso ‘fascinante’ de fraude", relembra o escritor.

Quase cem anos depois, a SPP contratou Vernon Harrison, expert em fraudes e falsificações, para reexaminar a "condenação" de H.P. Blavatsky. "Harrison escreveu um livro com suas conclusões. Ele testemunhou que, realmente, houve fraude: não da parte de Blavatsky, mas dos seus acusadores. As provas contra Blavatsky é que foram forjadas. Em 1986, a SPP fez uma autocrítica pública, integral e sem meias palavras. Embora tardia, a reparação serviu para restabelecer a verdade", comenta Aveline.

Autora de "Ísis sem Véu", "A Doutrina Secreta" e mais de 30 volumes, Blavatsky publicou textos que "causaram um forte impacto positivo na história do pensamento humano. Porém, muito do que ela escreveu ainda está por ser compreendido e decodificado mais claramente", conclui o escritor.

"Conversas na Biblioteca - Um Diálogo de 25 Séculos", Carlos Cardoso Aveline. Para comprar: www.furb.br/editora.

Teosofistas na era digital

Entre as três maiores correntes internacionais de pensamento teosófico, a Loja Unida de Teosofistas (LUT) é aquela que dá prioridade ao ensinamento original de Helena Blavatsky.

Fundada em Los Angeles, em 1909, está presente em cerca de 15 países. No Brasil funciona em Brasília e está iniciando um trabalho em Minas.

Atuando principalmente através da internet, a LUT em língua portuguesa possui um e-group de estudos diários e distribui textos toda semana para milhares de leitores em Portugal e no Brasil. Seu principal website é www.filosofiaesoterica.com.

Mais informações: lutminas@gmail.com ou pelo telefone (31) 9218.9590.

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Minientrevista com Helena Blavatsky Teosofista

O que significa a palavra teosofia? Sabedoria divina ou sabedoria dos deuses, assim como a teogonia é a genealogia dos deuses. A palavra theos significa “um deus” em grego, um dos seres divinos – certamente não “Deus” no sentido atribuído em nossos dias ao termo. Portanto, não é “sabedoria de Deus”, como traduzido por alguns, mas sabedoria divina, a sabedoria possuída pelos deuses.

O que é preciso fazer, então, para alcançar o verdadeiro autoconhecimento? A primeira condição para obter autoconhecimento é nos tornarmos profundamente conscientes da nossa ignorância; sentir com cada fibra do nosso coração que somos incessantemente autoiludidos. O segundo requisito é a convicção ainda mais profunda de que tal conhecimento – um conhecimento seguro e intuitivo – pode ser obtido pelo esforço. O terceiro e mais importante é uma determinação indômita de obter e enfrentar esse conhecimento. O autoconhecimento desse tipo não pode ser alcançado através do que, normalmente, se chama de “autoanálise”. Ele não é obtido pelo raciocínio ou por qualquer processo cerebral, porque ele é o despertar da consciência da natureza divina no ser humano. Obter esse conhecimento é uma realização maior do que ter domínio sobre os elementos da natureza ou conhecer o futuro.

O que você está descrevendo é inseparável do despertar da intuição. Como se pode desenvolver a verdadeira intuição? Em primeiro lugar, exercitando-a. E, em segundo lugar, não usando-a para propósitos meramente pessoais. Exercitá-la significa que ela deve ser seguida através de erros e derrotas até que, a partir das tentativas sinceras de usá-la, ela adquire força própria. Isso não significa que podemos fazer coisas erradas e deixar os resultados de lado, mas quer dizer que, estabelecendo nossa consciência sobre uma base correta pela adoção da regra de ouro, nós abrimos espaço para a intuição e aumentamos a sua força. Inevitavelmente, no início cometeremos erros, mas, se formos sinceros em seguida, a intuição brilhará com mais clareza e não errará. Deveríamos acrescentar o estudo das obras daqueles que trilharam esse caminho no passado e descobriram o que é real e o que não é. Eles dizem que o ‘eu’ superior é a única realidade. O cérebro deve ter acesso a visões mais amplas da vida (...).

Publicado em: 08/06/2010